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Como Funciona a Seletividade entre Disjuntores na Prática

A seletividade entre disjuntores é um conceito fundamental em sistemas de proteção elétrica. Ela garante que, em caso de falha, apenas o disjuntor mais próximo do defeito atue, mantendo o restante da instalação em funcionamento. Isso aumenta a confiabilidade do sistema, reduz paradas desnecessárias e melhora a segurança operacional.

O que é seletividade?

Seletividade é a capacidade dos dispositivos de proteção atuarem de forma coordenada, de modo que somente o equipamento responsável pelo circuito com defeito desligue.

Em termos práticos:

  • O disjuntor do circuito final atua primeiro
  • O disjuntor geral permanece ligado

 

Tipos de seletividade

1. Seletividade de corrente

Ocorre quando os disjuntores são ajustados com correntes nominais diferentes, de forma que o disjuntor a montante suporte correntes maiores sem atuar.

Exemplo:

  • Disjuntor do circuito final: 20 A
  • Disjuntor geral: 100 A

2. Seletividade temporal

Baseia-se no tempo de atuação dos disjuntores. O dispositivo a montante possui um atraso intencional, permitindo que o disjuntor mais próximo da falha atue primeiro.

É comum em:

  • Sistemas industriais
  • Quadros gerais de baixa tensão

3. Seletividade energética

Relacionada à energia let-through (I²t). O disjuntor mais próximo do defeito limita a energia da falha antes que o disjuntor a montante seja afetado.

Muito utilizada em:

  • Curto-circuitos de alta intensidade
  • Sistemas com disjuntores eletrônicos

 

Como a seletividade funciona na prática

Situação típica

  • Um curto-circuito ocorre em um circuito de tomadas
  • O disjuntor daquele circuito detecta a falha e desarma
  • O disjuntor geral não atua

Isso só é possível se:

  • Os disjuntores forem corretamente dimensionados
  • Houver coordenação entre curvas e ajustes

 

Curvas de atuação dos disjuntores

As curvas B, C e D influenciam diretamente na seletividade:

  • Curva B: atuação rápida (cargas resistivas)
  • Curva C: uso geral (cargas indutivas moderadas)
  • Curva D: altas correntes de partida (motores e transformadores)

A escolha correta da curva evita disparos indevidos e melhora a coordenação.

 

Boas práticas para garantir seletividade

  • Utilizar disjuntores do mesmo fabricante (facilita a coordenação)
  • Consultar curvas tempo × corrente dos dispositivos
  • Evitar disjuntores com correntes nominais muito próximas
  • Aplicar seletividade temporal em quadros principais
  • Validar a seletividade com cálculos e simulações

 

Normas relacionadas

  • NBR 5410 – Instalações elétricas de baixa tensão
  • IEC 60947-2 – Disjuntores de baixa tensão
  • NR-10 – Segurança em instalações elétricas

Conclusão

A seletividade entre disjuntores é essencial para garantir continuidade de serviço, segurança e confiabilidade das instalações elétricas. Na prática, ela depende do correto dimensionamento, da escolha das curvas adequadas e da coordenação entre os dispositivos de proteção.

Uma instalação bem projetada não apenas protege, mas desliga somente onde é necessário.

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